Estive aqui muito menos do que gostaria neste ano. Achava, do alto da minha presunção, que estando sem emprego, teria tempo para tudo: filha, produção de conteúdo, projetos profissionais e acadêmicos… doce ilusão!
Comecei o ano no projeto desapego, vendendo e doando praticamente tudo que tínhamos, nos mudamos para um Airbnb, terminei o doutorado, que defendi diretamente de Belgrado, viemos para a Itália, vacinamos, tive minha cidadania italiana reconhecida, mudamos para Roma, quase enlouqueci na burocracia daqui para garantir os direitos da Lari, remontamos casa, rotina, vida.
Quando dei por mim, já era dezembro, o ano acabou, depois de muito choro, um tremendo alívio por termos conseguido sobreviver e sair de um país que derrete, alguma vontade de voltar só pra perder o réu primário, e aos 45 do segundo tempo de 2021, felicidade por perceber que a existência da minha filha é respeitada aqui.
Ainda preciso melhorar meu italiano, mas me viro quase bem com meu portu-liano macarrônico. Estou totalmente “em casa” com a objetividade e assertividade dos romanos. Estamos tirando de letra o inverno europeu, ainda que estranhando o anoitecer às quatro e pouco da tarde.
No apagar das luzes de 2021, vendo o tsunami da Ômicron no mundo, começo minha lista de desejos com a esperança de que o mundo entenda que não adianta olhar para o próprio umbigo e deixar o coleguinha do lado se lascar. Isso vale tanto para os países ricos que compraram vacinas e esqueceram dos países em desenvolvimento, como para os negacionistas que não se vacinam com o argumento de escolha e ajudam a propagar o vírus e a morte (sim, você é co-responsável por cada morte, ao recusar vacina).
Desejo que o mundo seja um pouquinho melhor em 2022. Que não falte saúde, teto e comida na mesa. Que não falte escola para nenhuma criança. Que não falte respeito ao ser humano.
Que os machistas, racistas, capacitistas, homo/transfóbicos, gordofóbicos, etaristas e fundamentalistas de qualquer espécie voltem para os encanamentos submersos de onde nunca deveriam ter saído.
Que a ciência e o conhecimento prevaleçam sobre a arrogância da burrice.
Nos vemos em 2022, se você estiver vacinada(o)! 😉

Com um tico de inveja (queria muito que minha filha fosse “vista ” no brasil), desejo um ótimo ano novo, atrasada mas de coração!! ⚘⚘
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