Quando a placa ‘Itália’ me fez entender que minha vida nunca mais seria a mesma

Quatro anos e um mês atrás, em pleno auge da segunda onda da pandemia, eu, Fábio, Larissa e Puppy embarcamos em um avião com destino a Belgrado, capital da Sérvia — um dos únicos sete países do mundo que ainda aceitavam brasileiros naquele momento. Era mais do que uma viagem: era um salto no desconhecido, uma aposta na esperança de um futuro melhor.

Passamos um mês na Sérvia, aguardando a chance de entrar na União Europeia, até que descobrimos que teríamos que chegar a Avellino, no sul da Itália, por terra. E assim, na madrugada de 1º de junho, acordamos às 5h, carregamos nossas sete malas escada abaixo (porque, é claro, o elevador resolveu pifar justamente naquela noite), entramos em uma van e partimos para uma jornada de 18 horas.

Fomos parados na imigração croata, onde agentes solicitaram uma “ajuda financeira” ao nosso motorista. Na Eslovênia, respiramos aliviados com a tranquilidade do procedimento. E então, no meio da tarde, entre montanhas e paisagens que pareciam saídas de um filme, eu vi a placa: “Itália”.

Chorei. Não de medo, nem de saudade, mas daquela emoção avassaladora que vem quando percebemos que a vida está se transformando radicalmente. Íamos com sonhos, alguns planos e uma expectativa imensa — mas nenhuma certeza, além de que nada seria como antes.

E não foi. Nem do jeito que imaginávamos (em um ano, estaríamos de volta ao Brasil), nem do jeito que temíamos. Mas aquela viagem me ensinou que fronteiras, sejam físicas ou emocionais, existem para serem atravessadas. Que a diversidade do mundo é o que nos lembra: há sempre um caminho, mesmo quando o mapa não está claro.

Não sabia, naquele dia, o que viria pela frente. Mas estava certa sobre uma coisa: eu nunca mais seria a mesma. E hoje, olhando para trás, agradeço por cada passo, cada susto, cada lágrima e cada risada daquela aventura. Porque no fim, foi assim — entre incertezas, coragem e um pouquinho de loucura — que descobrimos que o futuro não é um lugar onde chegamos, mas uma estrada que construímos enquanto caminhamos.

(E sobre o que aconteceu depois? Essa história fica para outro dia…)

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