Se você vive no Brasil de 2025, com certeza foi impactada(o) pelo episódio do podcast Rádio Novelo, publicado no dia 16 de janeiro, no qual a jornalista e escritora Vanessa Barbara relatou a relação abusiva que viveu com o ex-marido André Conti, jornalista, escritor e um dos sócios da editora Todavia.
O mais assustador foi a exposição do grupo de 15 amigos homens, jornalistas e/ou escritores progressistas, que propagam posicionamentos públicos de apoio aos direitos humanos e de grupos minorizados, mas de forma privada revelavam mentalidades e atitudes misóginas, preconceituosas e discriminatórias.
As redes sociais foram tomadas por inúmeras críticas ao grupo e principalmente ao André Conti, que fez uma nota oficial curta, assumindo os erros do passado (para curiosos(as) de plantão, está aqui)
No dia 21 de janeiro, após uma avalanche de cobranças, a editora Todavia fez um post protocolar (aqui) no qual “reconhece a gravidade dos acontecimentos”, “compreende a indignação causada pelos diversos exemplos de machismo e misoginia” e “solidariza com a justa revolta que gerou”. Ou seja, um exemplo clássico de comunicado que fala, sem dizer nada de relevante. Spoiler 1: se você trabalha com gestão de crises, não gaste o precioso tempo de sua organização com isso. Não vai apaziguar. Pelo contrário. É combustível na fogueira.
O assunto extrapolou as redes sociais e virou pauta da imprensa. Para quem estuda opinião pública, nenhuma novidade: agenda pública pressionando agenda midiática. Todavia (perdão pelo trocadilho…) muitas organizações ainda não acreditam nos fenômenos comunicacionais e preferem usar a velha e nada boa estratégia avestruz: vamos nos enfiar no buraco e esperar passar. Spoiler 2: não funciona!
Ontem, 30 de janeiro, a editora divulgou aos influenciadores parceiros que o sócio em questão terá uma licença de 30 dias (remunerada? pode estender? ninguém sabe) e a “contratação de uma consultoria especializada na promoção de ambientes de trabalho equitativos” Spoiler 3: a palavra DIVERSIDADE sumindo da cena, repararam?
Espero que a empresa esteja preocupada de verdade em promover conscientização e medidas concretas para a promoção da diversidade. Que não seja apenas uma medida paliativa para conter danos e uma cortina de fumaça para que possam tirar a cabeça do buraco e voltar a vender livros.
Para você que leu até aqui, deixo algumas reflexões:
1) O tempo passou, as coisas mudaram e o silenciamento acabou. Se sua organização não se deu conta, corre. É sempre melhor prevenir do que remediar;
2) Neste caso, as cobranças públicas por explicações e mudanças vieram, em sua imensa maioria, de mulheres. Onde estão os homens que apoiam a equidade? O silêncio reforça o interesse de manutenção de privilégios;
3) Eu posso ajudar sua organização a se tornar mais inclusiva. Minha consultoria Mundo im.Perfeito reúne expertise de comunicação, gestão de crises e diversidade. Vamos conversar? contato@mundoimperfeito.com
