É inegável que a desigualdade entre homens e mulheres é um dos piores problemas sociais, desde que o mundo é mundo. Há séculos homens criaram modelos de sociedade, leis, argumentos religiosos e hábitos culturais que garantissem seus privilégios e impedissem ou dificultassem o acesso das mulheres ao mínimo.
Apesar dos avanços do século XX, a realidade nos mostra que estamos muito distantes da equidade. Os índices de violência contra mulheres, feminicídio, desigualdade salarial, desequilíbrio no acesso à saúde, moradia e emprego demonstram a urgência de mudanças profundas.
Centenas de milhares de Neils, Silvios, Donalds, Alexandres, Andrés, Titos, promovem abusos físicos, sexuais, psicológicos e financeiros todos os dias com a certeza de que não serão cobrados ou punidos. Porque não são mesmo. E ainda sobra para quem denuncia.
A culpabilização das vítimas é um mecanismo de defesa do sistema opressor. Ao responsabilizar mulheres pela violência, a sociedade desvia o foco do verdadeiro problema: a cultura machista e misógina que legitima esse abuso de poder.
A desigualdade não é um mero conjunto de estatísticas, mas um sistema complexo que permeia todas as esferas da vida, desde as relações interpessoais até as instituições. Quando a gente acorda para a realidade dos fatos, é impossível desver.
Como mulher, exijo mudanças reais. Não quero mais me sentir pequena, invisível ou em perigo. Não quero ser traída, enganada, objetificada, desqualificada, xingada, ameaçada. Quero um mundo onde minha filha, minhas sobrinhas, minhas irmãs e minhas amigas possam viver livres de medo e com as mesmas oportunidades que os homens.
Para isso, precisamos agir juntas, todos os dias. Vamos naturalizar a denúncia de violências. Acolher as vítimas. Não relativizar ou passar pano para abusadores. Apoiar iniciativas que combatem o machismo. Eleger mulheres para cargos de poder. Ler mulheres. Assistir mulheres. Contratar e promover mulheres. Educar filhos para serem homens melhores. A mudança começa em nós.
P.S.: Se você é homem e não age como a imensa maioria dos homens, não se sinta ofendido. Aproveite para refletir sobre cumplicidade, silêncio e privilégios.
