Edição 1 – Newsletter publicada no Linkedin em 20/09/2024
Atuo na defesa dos direitos da minha filha, que é uma pessoa com deficiência, desde 2005. Uso minha bagagem de mais de 30 anos como relações-públicas para visibilizar a inclusão desde 2010, quando criei minha primeira página no Facebook. Pesquiso academicamente sobre diversidade desde 2016 quando publiquei meus primeiros artigos que deram origem ao meu projeto de pesquisa do doutorado. Atuo como palestrante e consultora de diversidade desde 2021, com mais de 300 horas de treinamentos, palestras e cursos realizados, que já impactaram mais de 1.500 profissionais.
Precisei escrever tudo isso para validar para mim mesma a iniciativa de começar a produzir uma newsletter sobre o tema. Racionalmente sei que tenho todas as credenciais necessárias, mas a lógica e o algoritmo das redes sociais nos fazem acreditar que autoridade vem dos likes e seguidores. Diversidade sem Desculpas surge para que nem eu, nem você, nem ninguém se sinta inadequada para falar sobre o que quiser e tiver competência.
Sou uma mulher branca gorda de 53 anos, feminista, anticapacitista, antirracista, em desconstrução permanente, mãe atípica de uma jovem com deficiência intelectual, doutora em comunicação pela ECA/USP, relações-públicas, professora universitária, pesquisadora, consultora, diretora de associação de pesquisa. Aficcionada por café e viagens, sarcástica e bem humorada. Que não escuta música. Que adora pessoas, mas não suporta multidões. Que abriu mão da carreira corporativa depois dos 40 para começar a carreira acadêmica. Que abriu mão de casa, trabalho e estilo de vida depois dos 50, para realizar o sonho de viver na Itália. Que voltou um ano depois e recomeçou mais uma vez. Nada disso me define isoladamente.
O tema geral vai ser a diversidade, claro, porque ela faz parte de mim em infinitas camadas. Mas não espere dicas padronizadas do que sua empresa deve fazer para ficar bonita na foto. A proposta é refletir, questionar, jogar luz sobre temas do cotidiano, até incomodar um pouquinho, mas prometo que vai ser com carinho.
Aprendi com a Sonia Consiglio que empresas aprendem pelo amor ou pela dor. Mas mesmo com amor, todo processo de aprendizado e evolução traz alguma porção de dor. A dor de nos tirar da zona cinzenta do desconhecimento, de nos confrontar com nossas falhas, de nos privar de algo que podia até ser ruim, mas era confortável. Por que mudar se sempre funcionou? Funcionou para quem?
Assim é com a diversidade. (Quase) ninguém gosta de propagandear que não é inclusivo. É dolorido pensar que fomos machistas, racistas, capacitistas, etaristas, LGBTfóbicos, gordofóbicos, e outros tantos istas e fóbicos possíveis. Mas é o único ponto de partida possível: olhar de frente para quem fomos ou somos. E daí podemos desenhar quem queremos ser.
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