Por que as empresas ainda têm medo da Diversidade?

Durante as palestras e letramentos que faço, tenho percebido um medo genuíno nas empresas de promoverem discussões sobre diversidade e inclusão e criarem ambientes de polarização ou de militância.

Muitas organizações sabem que D&I não é algo para o futuro e sim uma demanda do presente, mas travam quando precisam sair do campo das ideias para ações práticas e efetivas que assegurem acesso, acolhimento, desenvolvimento e pertencimento de todas as pessoas, principalmente de quem faz parte dos grupos minorizados.

A lógica seria: queremos/precisamos incluir mulheres, mas não queremos que homens se ofendam. Queremos pessoas negras em cargos de liderança, mas não queremos que pessoas brancas se sintam ameaçadas. Queremos pessoas com deficiência, mas sem que pessoas sem deficiência se sintam constrangidas. Queremos que pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ se sintam acolhidas, mas não queremos que pessoas cis hétero pensem que virou uma “ditadura gay”.

Aqui vem muitas camadas de interpretações: a primeira é que toda vez que você tem uma ação que foge ao script, existe uma reação, como diz uma das leis de Newton. Por outro lado, há um ditado que diz: você não faz omelete sem quebrar ovos. Ao falar de D&I, sua organização vai ter que lidar com pessoas em situações de privilégios que possivelmente se sentirão ameaçadas. Mas também vai ter muita gente, a maioria, pensando “como nunca pensei nisso antes?” É aí que as mudanças começam de fato.

O segundo ponto de reflexão é que a diversidade não existiria sem movimentos sociais. Eles foram e são fundamentais para garantir os direitos das pessoas que fazem parte de minorias. Eu mesma me coloco como ativista pelos direitos das pessoas com deficiência e principalmente das mães atípicas, grupo do qual faço parte. Por isso criei a Rede Mães Atípicas em 2019, para lutar pela inclusão profissional de mulheres historicamente invisibilizadas. Mas… Sim, tem um mas aqui. Mas o que faz de mim uma consultora de diversidade não é minha bagagem como mãe atípica e ativista. Pode ser um complemento, uma cerejinha. O que faz de mim uma Consultora de Diversidade é minha experiência de quase 10 anos como pesquisadora no tema. Minha experiência prática de quem ensina, orienta e aplica este conhecimento em organizações desde 2021. Minha experiência de quase 30 anos no mundo corporativo, conhecendo a realidade das relações de poder, de construção cultural, de estratégias de negócios. Ou seja, é o lado de quem já foi gestora e de que é pesquisadora. É preciso lidar com dados, com números, com linguagem corporativa. Somente amor por uma causa e pertencimento a um grupo minorizado não faz de ninguém um (a) especialista. 

O terceiro e último ponto que ainda impede empresas de assumirem a diversidade como um valor é o desconhecimento. É o fato delas se deixarem levar pela rotina exaustiva e não abrirem espaço para conhecimento, para reflexão, para inovação. Já está mais do que comprovado que ambientes diversos são mais rentáveis, agregam valor ao negócio, fidelizam pessoas, sejam clientes ou colaboradoras, e proporcionam licença social para que as empresas continuem atuando no médio e longo prazo.  Mas se a empresa resolve imitar avestruz e não percebe o que acontece no mercado e na sociedade, são altíssimas as chances de isso passar batido.

Meus conselhos finais: 1) tenha coragem para enfrentar resistências; 2) procure especialistas reais e não na base da pirotecnia; e 3) olhe ao seu redor e tome a iniciativa!

Deixe um comentário