Hoje em dia tem se discutido muito sobre a utilização de linguagem neutra como sinônimo de comunicação inclusiva. Estas falas costumam vir de grupos minorizados, que buscam seu espaço e sua representatividade por meio da linguagem. De outro lado, pessoas estudiosas ou fãs de linguística se recusam a abrir mão da “norma culta”. O ponto é que a comunicação inclusiva é anos-luz mais ampla e complexa do que o uso de x ou e no final das palavras.
Como toda pessoa aluna de comunicação aprende logo nas primeiras aulas da faculdade, comunicação significa partilhar ou ação de participar, em sua origem do latim. Aprendemos também, por meio de inúmeras teorias críticas, que a comunicação é muito mais do que transmitir informações, impactando as relações humanas, atribuindo significados e movimentando decisões e relações de poder.
A comunicação tem capacidade de incluir e de excluir, na mesma proporção. Basta olharmos para o passado. Historicamente, a comunicação das pessoas e das organizações refletia – e ainda reflete em grande medida-, por meio de suas linguagens, de suas imagens e de suas implicações de valor, um mundo normativo eurocêntrico masculino branco rico sem deficiência cis hétero. Não por acaso, o masculino plural sempre foi a regra gramatical na língua portuguesa e em outros idiomas. O modelo de mundo foi escrito por eles, como demonstra a pesquisadora Caroline Criado Perez, com a compilação de estudos no livro “Mulheres invisíveis: o viés dos dados em um mundo projetado para homens”.
A comunicação acessível tem a missão de refletir um comportamento verdadeiramente inclusivo, que contemple acolhimento, (re)conhecimento e pertencimento, e proporcione diversas formas de acessibilidade para que todas as pessoas possam participar, com as mesmas chances. O reconhecimento das diferenças é o ponto de partida, mas é preciso mais. A comunicação precisa deixar claro que a organização é antiracista, antimachista, anticapacitista, antiLGBTfóbica, dentre tantos outros ANTI. Ou seja, precisa evidenciar suas práticas includentes e anti-discriminatórias. É preciso mostrar ao mundo que todas as pessoas são bem-vindas, mas mais do que isso, são desejadas ali. Que a organização está preparada para recebe-las e oferecer seu melhor a elas.
Hoje já não basta convidar para a festa e somente ensinar a dançar, como ensina o ditado. É preciso um esforço genuíno para que todas e todos reconheçam seus inúmeros papéis sociais e os impactos que causam ao seu redor, principalmente aquelas que ocupam lugares de privilégios e participam da tomada de decisões. A comunicação acessível tem a missão de eliminar barreiras sociais, culturais e políticas, transmitir intenção e criar empatia, tornando-se agente de mudanças e de transformação social.
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