Diversidade e ESG de mãos dadas: muito além do politicamente correto

A sigla ESG, que rege as melhores práticas de governança ambiental, social e corporativa, já conquistou os corações das lideranças que buscam a vanguarda corporativa, mas ainda possui o enorme desafio de se tornar um conceito popular (e amplamente praticado) no mercado brasileiro.

Já a dupla Diversidade e Inclusão está mais na boca do povo. Todo mundo já ouviu falar e sabe o que é, ainda que superficialmente. A pergunta que deve ser feita não é o que é diversidade, mas sim por que e para que precisamos dela?

É necessário falarmos e praticarmos D&I nas organizações porque vivemos uma realidade construída pela perspectiva universal histórica de homens brancos adultos ricos cisgêneros héteros sem deficiência. Todas as regras políticas, jurídicas, religiosas, científicas, profissionais, culturais, artísticas, estéticas, linguísticas, sociais e familiares que conhecemos foram criadas por uma sociedade que traz séculos desta perspectiva e tudo que foge a ela, foi considerada historicamente como outsider, pior, anormal ou errado.

O preço disso vai muito além da divisão social e geração de enormes desigualdades e arbitrariedades. A diversidade pressupõe a compreensão da interdependência humana, cultural e ambiental e a prática do respeito por qualquer experiência que seja diversa à própria. Em sentido oposto, a falta de diversidade cria um achatamento intelectual e cultural, causado pela tendência de pensamentos e comportamentos padronizados. Quem pensa parecido, quem tem os mesmos gostos, quem age da mesma forma raramente sai do script nos quesitos inovação e criatividade.

A diversidade corporativa representa uma série de vantagens, tanto para a organização como para as pessoas que ali trabalham, negociam, convivem e consomem. Empresas diversas ganham com redução de riscos, atração de melhores talentos, redução de turnover e melhoria na tomada de decisões, que geram ganhos reputacionais e financeiros. Já as pessoas que convivem e trabalham em ambientes diversos, adquirem mais as desejadas soft skills, habilidades emocionais que são formadas a partir da vivência do ser humano.  Resiliência, capacidade de lidar com pressão, flexibilidade e liderança de equipes, por exemplo, surgem à medida que a vida nos impõe situações que demandem essas habilidades. Times diversos = mais experiências = mais soft skills.

Ambiente organizacionais compostos por grupos diversos, que contam com a experiência de mulheres, de pessoas não-brancas, de pessoas com deficiência, de pessoas LGBTQIA+, de pessoas com mais de 50 anos, de pessoas com múltiplas religiões, origens e visões de mundo, comprovadamente se tornam mais ricos e produtivos. Não por acaso, a diversidade corporativa está deixando de ser diferencial e tornando-se fator de corte em processos de avaliação e certificações, assim como no ESG.  

Mas que fique claro: é um imenso processo de mudança cultural, que passa pela revisão de seus valores e sua identidade. Nenhuma empresa se torna diversa e inclusiva da noite para o dia. A diversidade precisa ser incorporada à essência da organização de forma integra. Discurso alinhado às práticas, sempre! Dói um pouco. Ou bastante, dependendo do nível de apego dos envolvidos. Mas tanto você como sua empresa têm muito a ganhar com a diversidade.

A pergunta que eu deixo como reflexão: você está disposto a deixar dinheiro na mesa para manter tudo como sempre foi?

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