Copa? Inclua-me fora desta!

Quase um mês atrás fui para a Paulista celebrar a vitória da esperança contra o retrocesso e obscurantismo e ali a gente via o poder de catarse da multidão. É emocionante, contagiante e nos faz sentir parte de algo maior. Mas cobra seu preço também ao transcender a consciência individual para o coletivo.

Hoje começa a Copa (masculina, que fique claro, já que pouca gente lembra do torneio feminino) e não há argumento coletivo algum no mundo que me faça assistir, torcer ou ser conivente.

Em primeiríssimo lugar, pela Fifa, entidade organizadora, que já esteve envolvida em dezenas de escândalos internacionais de corrupção e crimes diversos e nunca foi punida.

Na sequência, pela escolha da Fifa para realizar o evento no Catar, um dos governos mais autoritários e totalitaristas, que se orgulha de ostentar seus crimes contra mulheres e pessoas LGBTQIA+. Para quem não sabe, uma mulher mexicana que trabalhava como economista na organização da Copa foi estupr@d@ no hotel que estava hospedada, o criminoso disse que foi consensual e ELA foi condenada à prisão e 100 chibatadas. A pena poderia ser cancelada se ela aceitasse casar com o estupr@dor. Felizmente a moça conseguiu fugir do país, mas milhões de catarianas continuam sujeitas a crimes como esse, apoiados pela lei do país.

Olhando mais para perto, temos a CBF, também envolvida em escândalos e denúncias que desmancham no ar. Uma das mais recentes foi o arquivamento de todos os processos de assédio sexual e moral contra um ex-presidente da entidade, mesmo com inúmeras provas.

Além disso, grande parte do elenco de jogadores se colocou publicamente em apoio ao candidato derrotado nas eleições presidenciais, com destaque para aquele que teve suas dívidas milionárias de impostos perdoada pelo mesmo governo.

Desculpe, mas não é só futebol. Torcer por este time, num torneio como este, organizado por quem é e onde é NÃO é patriotismo. Não consigo passar por cima dos meus valores por uma diversão, que só vai beneficiar as instituições que vão contra tudo que acredito.

Mas como diz o ditado das mães, eu não sou todo mundo. Divirtam-se! Nos vemos na treta da uva-passa.

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