O etarismo ou idadismo, preconceito contra pessoas por causa da idade, é uma das formas de discriminação mais comuns nos ambientes corporativos, mesmo em empresas em que a diversidade é tema familiar.
Eu costumo brincar com minhas alunas e alunos que nossos colegas de trabalho viram purpurina ao completar 40/45 anos. Sejamos sinceras: tirando alta liderança e acionistas, sua empresa tem pessoas com mais de 50 anos?
Geralmente as organizações vão demitindo, com argumentos internos de que se tornaram caros demais, defasados, que precisam de “sangue novo”, blá, blá, blá. Em muitos casos, a pessoa não se preparou para a mudança, perde as referências e precisa começar a desenhar planos B, C ou D enquanto o trem desgoverna pelos trilhos.
Fica aqui uma dica bônus, que seu eu do futuro vai me agradecer: mesmo que você tenha o trabalho dos sonhos, não permita que isso te defina e que seja sua única opção de futuro. Construa desde cedo seus planos alternativos e pense com carinho no que é necessário para fazer a transição. Porque inevitavelmente ela vai chegar.
Dica 1: Pare de achar que pessoas mais velhas não devem mais trabalhar por estarem defasadas. A experiência de vida e profissional que ela tem é, possivelmente, maior do que sua idade. Talvez ela não saiba mexer em todos os aplicativos e redes sociais disponíveis. Mas você sabe. A riqueza da diversidade é exatamente esta. Pessoas com diferentes culturas, vivências e olhares complementando e se ensinando mutuamente. Que o diga quem viveu profissionalmente (e surtou) o bug do milênio! A expectativa de vida no Brasil é por volta de 77 anos, mas vemos, cada vez mais, pessoas chegarem aos 90 e até os 100. Dá para imaginar você parar aos 50? Vai fazer o que com a outra metade da vida?
Dica 2: Pare de pressupor que pessoas mais velhas não podem ser modernas nem gostar de tecnologia. Algumas têm dificuldade? Sim. Podem demorar mais para se familiarizar com novidade? Talvez. Mas saiba que os atuais sessentões e setentões foram a geração que criou toda a base tecnológica que você usa hoje. Quer ir mais longe? A Semana de Arte Moderna de 22 (há 100 anos) trazia conceitos de ruptura com conservadorismo, varguardismo, quebra de paradigmas. Toda geração jovem pensa estar criando um mundo revolucionário. Mas na maioria das vezes, Elis estava certa: “apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”
Dica 3: Faça sua parte para que o mundo seja um lugar melhor para as pessoas mais velhas, em vez de continuar contribuindo para a invisibilidade delas. Abra espaço para elas, mostre imagens verdadeiras, não force a barra no Photoshop, adapte seus ambientes para que elas possam frequentar. Além de poder produzir, pessoas mais velhas consomem! E óbvio que preferem onde se identificam e se sentem à vontade.
Não sei se você sabe que eu passei o último ano na Itália, um dos países com maior índice de idosos da Europa. Posso te falar como é incrível a sensação de perceber a presença deles em todos os lugares. Era normal ver pessoas com 60+ trabalhando nos comércios e serviços, passeando, turistando, vivendo.
Caso você seja uma pessoa auto-centrada, vou te contar um segredo: aqui no Brasil apenas 7,5% das crianças até 14 anos têm alguma deficiência. Mas 67% das pessoas com mais de 65 anos têm deficiências. Ou seja, as chances de você envelhecer e adquirir deficiência são beeem altas. E essa interseccionalidade explica muito sobre a invisibilidade e a falta de espaço. Quanto mais a gente abrir espaços, melhor será lá na frente, para quando chegar a sua vez. Lembre-se que você vai (ou pretende) chegar lá. A única alternativa para não envelhecer é morrer jovem.
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