Esses dias comentei que a diversidade vem da diferença, do que foge do padrão, do que não é o “normal”. Agora te pergunto: o que é normal, para você? Quem é normal? Qual é o seu normal?
Quando falamos de normalidade, podemos nos referir aquilo que estamos acostumados, ao que é habitual. Mas também existe o entendimento do normal como correto. É aí que a coisa começa a ficar complicada. Porque tudo que foge ao “meu normal” vira estranho e, consequentemente, errado. Como dizia Goffman, esse estigma enfraquece o estranho e se transforma em um rótulo de identidade social, que revalida a suposta normalidade dos outros.
Eu sei que faz parte da natureza humana entender o mundo a partir da própria perspectiva. Mas também temos habilidades psíquicas e emocionais para aprender, ampliar nossos horizontes e imaginar como se sente o outro, que é diferente de mim. Esse é o princípio da tal empatia, muito falada e tão pouco praticada hoje em dia.
Como o mundo em que vivemos hoje foi construído política e socialmente a partir da perspectiva de homens-brancos-adultos-cis-heteros-sem-deficiência, todas as diretrizes legais, políticas, religiosas, científicas, morais, artísticas e estéticas foram determinadas por eles. É isso que chamamos de normatividade.
Então tudo que não se encaixa ao normal-correto é o que? “Errado”, “fraco”, “frágil” “perigoso”, “mau”, “pervertido”, “doente”, “problemático”, “que precisa ser banido ou controlado”, “histérica”, “agressivo”, “reclama de tudo”, “abusado”, “cheio de mimimi” e por aí vai…
Imagina ficar repetindo isso durante séculos? Além de lutar para recuperar direitos e espaços na sociedade, todas, todos e todes nós que fazemos partes de minorias gastamos tempo e energia preciosos para nos encaixar e nos livrar do peso da anormalidade. Fica a reflexão: será que precisa?
