Muita gente tem o hábito de ficar guardando as coisas em cantinhos bem escondidos, que geralmente ficam lá por anos, porque a pessoa nunca sabe onde está. Quando precisa, não consegue encontrar de jeito algum. Tempos depois, o troço surge do nada. Conhece este filme?
Quantas vezes você parou para pensar se aquilo realmente vai ser útil no futuro? Ou se é apenas o apego por um tempo que já passou? Seus gostos mudaram, sua vida mudou, tudo evoluiu. Tem gente que acumula por esporte, outras por desorganização ou falta de tempo para pensar no assunto. Dá trabalho, claro. Mas quando a gente organiza a vida, parece que até nossas ideias ficam mais claras.
Não é segredo que me desfiz de quase tudo quando mudamos pra Itália. Foi uma força tarefa, entre vendas e doações, para desmontar a casa. No período de um ano, moramos em 4 lugares: 1 mês em Belgrado, num Airbnb; 3 meses em Avellino, em um apartamento velho mobiliado, onde fizemos cidadania; 8 meses em Roma, em um apartamento reformado e bonitinho, mobiliado com o básico e tivemos que comprar algumas coisas; e agora de volta para São Paulo, em um apartamento vazio, que está tomando forma e a nossa cara.
A cada mudança, fui percebendo como precisamos de pouco para viver bem e como a lógica do consumo nos empurra coisas desnecessárias. A mobília e o guarda-roupas foram reduzindo para o que realmente fazia sentido. Hoje mesmo, no café da manhã, enquanto aquecia um waffle congelado, pensei: “poxa, não tenho mais uma torradeira”. Pra que, criatura?? Ficou divino na frigideira e sem ocupar um espaço inútil.
Isso não significa que a gente precisa jogar tudo fora. Mas olha ao seu redor e me conta: o que te agrada ou desagrada? Sabe aquele móvel/objeto quebrado, lascado, aquela roupa velhinha… Você vai mesmo consertar?
Esta reflexão pode valer também para algumas relações. Será que aquela amizade do passado que já não faz mais sentido, precisa ficar sendo ressuscitada a fórceps? Longe de mim querer que você afaste seus afetos e se isole do mundo. Uma das minhas melhores amigas é literalmente do pré-primário e moramos em cidades diferentes há uns 30 anos. Ficamos meses sem nos falar, mas quando falamos, é como se tivesse passado uns dias. Mas o meu questionamento é sobre pessoas que fizeram parte da sua história, cada um foi para seu lado e criou uma vida com gostos e valores diversos. Foi bom, foi ótimo. Mas passou. A gente às vezes insiste e se magoa, querendo encaixar o outro em caixinhas que não cabem mais. Relações também podem ter prazo de validade. Deixa a lembrança boa e segue a vida.
E você? Como anda seu desapego? Conta pra mim nos comentários!
