Cá entre nós, conta pra mim: você costuma ajudar alguma mãe atípica? Não vale achar que um like é suficiente. Estou falando de ajudar mesmo, ser rede de apoio.
Que as mães são os seres mais sobrecarregados do planeta, todo mundo sabe. Que as mães atípicas são negligenciadas, invisibilizadas e exaustas, só não vê quem não quer. E quando a gente fala das interseccionalidades de classe e raça então… Falta dinheiro pra conciliar remédios, comida, roupa, contas, tratamentos. Falta presença paterna pra dividir as responsabilidades. Falta tempo pra encaixar todas as obrigações com trabalho. Falta trabalho que compreenda as demandas dessa mãe… eu podia ficar dias listando tudo que falta e seria capaz de esquecer de algo.
Praticamente todas as mães atípicas que conheço sentem cansaço extremo e solidão. Quando alguém estende as mãos para ajudar, é até difícil perceber e aceitar. Porque outra coisa que vem bastante é conselho (ou crítica). Mas ajuda mesmo é rara. Talvez por sermos vistas como as “guerreiras”, fortes pra caramba, destemidas e outros tantos adjetivos que costumam usar pra nos definir. E a gente, às vezes, acredita nesses superpoderes, pra seguir em frente e não desabar.
Não é segredo que recentemente eu passei por um período mega pesado, eu diria que o pior, na minha maternidade atípica, por causa das crises da Lari. O que resultou na difícil escolha de voltarmos ao Brasil e a entrada dela em uma moradia assistida. Foram meses em que eu apenas sobrevivi, graças à presença de um companheiro maravilhoso, que dividiu essa pauleira comigo.
Mas foi também pelo suporte de pessoas amadas que me mandavam mensagens perguntando por mim e não somente por ela. Pelo ombro, ainda que remoto, de quem disse: “vem logo, estamos aqui”. Pela disponibilidade de buscar/levar no aeroporto, levar /acompanhar na visita à moradia, ser motorista/terapeuta/amiga/irmã, fazer compras, me encher de vinho, de milkshake, ler tarô, receber ligação minha aos prantos, responder minhas mensagens em horários surreais no Brasil.
Talvez essas pessoas não tenham a exata dimensão da importância do colo que me deram. Mas eu nunca vou esquecer. Porque cada um destes gestos não seja tão relevante pra quem fez, pode parecer pouco. Mas foi gigante pra quem precisava de qualquer coisa.
E é por isso que eu comecei meu texto te provocando. Faça. Mesmo que ache pouco. Ajude como seu instinto te indicar. Troque seu conselho bem intencionado por uma ação, por menor que seja. Uma mãe atípica agradece, do fundo do coração.
