Esses dias cortei o cabelo bem curtinho, como já fiz algumas vezes. Nada contra cabelos compridos, até tenho amigas assim. (É piada, amores) Aderi ao modelo “joãozinho” aos 14 anos e ouvi tanta bobagem, que só reforçou minha vontade de ir contra o padrão pré-determinado pelos OUTROS para MIM.
Com o tempo, percebi que além de atrair atenção dos meninos (aos 14/15 anos é só o que a gente pensa), ainda era percebida como inteligente, arrojada, moderninha. De quebra, os que procuravam uma barbie passavam longe. Só vi vantagens…
O tempo passou e tive fases de deixar o cabelo crescer. Nunca era eu mesma. Parecia uma personagem, sentia a ausência do “poder”. Olhando para trás, percebo que todas as vezes que radicalizei foram momentos em que quis “voltar a ser eu mesma”, como falei esses dias com minha amiga comadre @rpaioli. Foi assim quando entrei na faculdade, quando Lari nasceu, quando divorciei e agora que fechou o ciclo da mudança de país.
Quando me vejo nas fotos acima, não quero voltar no tempo, nem apagar rugas, olheiras, quilos a mais, cabelos brancos de hoje. Mas consigo perceber como cheguei aqui e reconhecer a base do que sou.
Talvez seja um pouco de influência genética da minha avó Teresa, que não conheci. Em meados de 1930, dizia: “Filha minha vai estudar, fazer faculdade e trabalhar para não depender de marido”. Hoje vivendo no país dela, vejo que, apesar dos inúmeros problemas que ainda existem, as italianas não vieram a passeio.
Talvez seja a essência sagitariana ou o senso de praticidade de alguém extremamente racional, mas que nunca chorou tanto como no último ano. E está tudo bem. Ou vai ficar.
O ponto é que eu me “reconheço” olhando para meus eus. Reconheço minhas falhas, fortalezas, gostos, fantasmas e arrependimentos. Reconheço até os meus méritos. Mas lamento informar, isso não veio de graça.
A garota de 23 anos mudou demais, para melhor. Como não dar a mínima para o que os outros vão pensar sobre a minha vida. Ou parar de engolir sapos para agradar.
Hoje sei que não preciso de um manequim 40 para ser emocionalmente e sexualmente feliz.
Não preciso de um homem ao meu lado para estar realizada. Em que pese e talvez até por isso, eu tenha encontrado o amor da minha vida aos 47.
Sei que sou mais inteligente do que a gigantesca maioria dos homens, ainda que não tenha falado tanto e tão alto quanto eles nos ambientes em que trabalhei.
Sei que sou muito mais do que mãe, apesar da carga materna estar me consumindo muito além do que deveria há quase 17 anos.
Sei que o mundo é cheio de injustiças e desigualdades, que eu não consigo combater. Mas tudo que eu puder fazer no meu entorno está sendo feito. E vai ser feito.
