Faz tempo que não dou as caras aqui no blog. Nas redes sociais é mais fácil. Uma foto nos stories, um texto mais curto na timeline… a ideia de sentar, planejar e escrever com mais profundidade tem me afugentado. Daí você me pergunta: “mas você anda tão ocupada assim, Patricia? Você não tem mais tempo livre, agora que está sem trabalho fixo?”
Vou te dizer que desde que saí da Faculdade (caramba!! já faz 10 meses!), eu não tive sensação de estar desocupada nem por um final de semana. Nos primeiros meses eram todos os preparativos para a viagem: venda da casa, de carro, dos móveis e objetos; a documentação; as pesquisas todas para o que viria… Eu mal conseguia dormir de tanta coisa pra fazer e de ansiedade, óbvio.
Depois tivemos um mês na Sérvia, ainda com muita pesquisa sobre a Itália, cidadania, imóveis, etc. Assim que chegamos na Itália, eram as demandas do processo de reconhecimento da cidadania e a procura por um local definitivo, que se tornou em Roma.
No meio de tudo isso, Lari em casa em tempo integral, pois chegamos no início das férias escolares de verão. Como ainda não sabíamos onde moraríamos, a escolha da escola também era uma das pendências.
Ao decidirmos por Roma e escolhermos apartamento e escola (tem que ser um combo, pois aqui só se estuda no bairro que mora), começamos a peregrinação pela documentação que certifica a deficiência dela. Não podíamos dar início antes, porque dependia da documentação da cidadania. Como eu escrevi outro dia no novo perfil do Instagram que criamos para compartilhar nossas experiências romanas (@nossavidaemroma), a burocracia italiana é um capítulo à parte, que merece toda nossa atenção e paciência.
Aqui na Itália, os direitos das pessoas com deficiência são muito mais respeitados e garantidos pelo poder público. Mas para isso, você precisa trilhar um lonnnngo caminho de documentos. Ela terá direito a vários benefícios, inclusive professora de apoio e auxiliar. Mas a escola determinou que ela só comece a frequentar as aulas depois que estiver com toda essa documentação pronta, pois sem isso, não conseguem solicitar junto aos órgãos governamentais. Achei prudente, já que ela não domina o idioma e não arriscaríamos coloca-la em uma escola enorme sem suporte.
Com tudo isso, faz 5 meses que ela está em casa, somente comigo e com o paidrasto. E vou dizer: não é fácil. Ela não tem mais as aulas online, como teve ao longo do ano anterior, por causa da pandemia. Ela não tem mais as visitas e os fins de semana intercalados na casa do pai. Ela não tem mais a companhia da Rosa, nossa empregada que tanto a paparicava. A atenção dela é toda para nós e para a Puppy, que se tornou uma verdadeira pet de suporte emocional. E a nossa atenção acaba sendo direcionada quase totalmente para ela.
Procuramos sempre sair, fazer caminhadas e passear quando podemos. Mas os compromissos profissionais do marido vão de vento em popa (amém!), ambos temos as demandas da casa do dia-a-dia e eu ainda tenho uma lista de pendências burocráticas da mudança, além de trabalhos pontuais, palestras e projetos que, claro, não recuso.
Outro dia estava fazendo uma apresentação sobre minha tese para a turma de pós-graduação da Metodista, em um horário que Larissa já estaria dormindo. Mas foi no dia que tínhamos buscado a documentação da cidadania, ela tinha se machucado e viajamos por horas. Ela teve uma crise no início da aula e só queria a mãe. Pedi licença, me ausentei por 10 minutos para acalma-la e voltei à apresentação. Essa é a vida de mãe atípica na função 24 horas x 7 dias da semana, sem rede de apoio.
Tem dias que ela está mais carente e me aciona o tempo todo, como hoje. Faço o mínimo necessário para a casa não virar uma baderna e fico por perto dela, dando atenção, brincando, fazendo personagens e procurando sinais de que ela não está bem, para mudar o foco e evitar eventuais crises de ansiedade. O dia acabou bem para ela, felizmente. Mas eu me sinto o Astro, cachorro dos Jetsons, que corria o tempo todo sem sair do lugar. Parece que o rolo compressor passou por cima de mim.
Amanhã será outro dia, como dizia Scarlett. Assim que ela começar a escola, o ritmo será outro. O mantra aqui é paciência, paciência, paciência.
