Mulheres inteligentes, escolhas insensatas (eu sei que não é original, mas é real)

Esses dias, em conversas separadas com duas amigas, mulheres que admiro muito, falamos (na verdade escrevemos) verdades “inconvenientes” e doloridas: o quanto nossa geração lutou e luta para crescer, obter títulos acadêmicos, conquistar espaços no mercado de trabalho, criar filhos com apego/sem-excesso-de-telas/para-o-mundo/com-amor, e ainda é incapaz de se perceber ou se livrar de relacionamentos tóxicos e abusivos. E não estou falando aqui de cônjuges violentos, não, que é (ainda mais) um problema seríssimo e de polícia.

Falo de companheiros (se é que dá pra usar essa palavra), maridos, namorados que, à primeira vista, parecem boas pessoas, mas se colocam num patamar egoísta, acima de tudo e todos, principalmente da mulher e dos filhos. Falo de mulheres que abrem mão de suas carreiras (ou pelo menos, de serem protagonistas) para darem aos filhinhos-de-mamãe todo suporte necessário para que façam o que bem entendem.

Mulheres que abrem mão de suas vontades, necessidades e sonhos em prol da família, enquanto, na gigantesca maioria das vezes, o menino (sim, muitos se comportam e são tratados como meninos) pode continuar brincando. Mulheres que largam seus empregos para acompanhar a carreira do fulano no exterior. Mulheres que deixam de cuidar de si e de sua saúde, para que o bonito não perca suas aulas de jiu-jitsu. Mulheres que sustentam financeira e emocionalmente a casa, enquanto o moço está desempregado, em crise de meia idade e super ativo no Tinder (meninas, eu vi!).

Antes que digam que estou falando sobre mim ou meu passado (não deixa de ter um bom fundo de realidade), todos os exemplos aqui são reais sobre outras mulheres incríveis que conheço. Você pode se perguntar: “mas por que ela(s) não chuta(m) esse(s) estrupício(s)?” Porque não é simples. Porque fomos criadas para ter sucesso, inclusive de uma relação doriana perfeita, mesmo que às custas da nossa saúde e felicidade. Porque existe a maldita culpa antecipada só de imaginar que vão nos chamar de egoístas por querermos nos colocar em prioridade. Porque a gente acha que não vai dar conta de criar os filhos sozinha (sim, na imensa maioria das vezes, guarda compartilhada é uma falácia para os pais de Internet). Mas a gente dá conta sim. Como disse uma das amigas do começo da história: “agora só tenho um filho, o meu. Não cuido mais do filho da minha sogra” Eles que lutem, na terapia ou nas porradas da vida, para crescer sozinhos.

Felizmente, mais dia menos dia, a gente se liberta. E o pensamento vigente é: “como pude demorar tanto? De que eu tinha medo?” Sim, existe vida depois do livramento. E uma vida muito melhor. Sabe aquela sensação de reencontrar uma pessoa querida depois de muitos anos? É assim que a gente se reencontra.

Mulheres do meu coração, fujam dos embustes fantasiados de meninos. A vida e a saúde (física, mental e sexual) de vocês agradece.

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