Vida na Itália: nada de dolce far niente por enquanto!

Para vocês que acompanharam a saga da Sérvia, agora vem a epopéia da Itália (se for para ser sem emoção, que graça tem, não é mesmo?)

Vamos lá: passamos um mês em Belgrado, cumprindo quarentena e esperando a abertura da Itália para os demais países. A má notícia é que prorrogaram a proibição de pessoas vindas do Brasil até 31 de julho e mantiveram as restrições somente para casos de urgência para países da lista E, como a Sérvia. Depois de muita pesquisa, descobrimos que a documentação para cidadania comprova necessidade de urgência no entendimento das fronteiras terrestres. Ou seja, poderíamos ir, desde que fôssemos de carro.

Para apimentar a emoção, nossos planos de ir para a Toscana mudaram temporariamente, pela dificuldade de locação de imóvel (com cachorro e com as restrições de mobilidade da Lari). Conseguimos um apartamento na região da Campania, perto de Nápoles. O único porém é que aumentou em 6h nossa viagem, já prevista de 11h.

Saímos de Belgrado às 6 da matina, depois de descobrir que o elevador do prédio em que estávamos quebrou. Foram todas as malas, mochilas, doguinha e Lari dois lances de escada abaixo no muque mesmo. O motorista da van era um croata formado um ciências políticas e o papo foi ótimo, fazendo a viagem até Zagreb passar rápido. Exceção ao congestionamento que pegamos na entrada da cidade, por causa de um acidente. O momento mais tenso foi passar pela fronteira entre Sérvia/Croácia, já que os croatas não estão com muita boa vontade com brasileiros, mesmo estando abertos ao turismo. Os oficiais ficaram vários minutos olhando as fotos dos passaportes, rindo e falando entre eles. Soltei um irônico: “I was really younger” (eu era mais jovem mesmo), com cara de paisagem e eles nos liberaram.

Em Zagreb, demos tchau ao novo amigo, almoçamos rapidinho e seguimos em outra van, com dois motoristas se revezando. Na fronteira com a Eslovênia, apesar da fila, foi super tranquilo, mostramos os documentos e pronto. Estávamos na União Europeia.

No total foram 18 horas de viagem, apenas com paradas rápidas. Lari se queixava de tempos em tempos por causa do joelho, ainda dolorido, mas como reservamos a van somente para nós, ela podia se esticar e ir mudando de posição. Mas chega uma hora que fica tudo quadrado mesmo. Como a garota sensível que é, percebeu nossa ansiedade e ficou boa parte da viagem comemorando a mudança.

Chegamos no hotel à meia-noite, fomos super bem recebidos pela atendente que nos deixou colocar as bagagens no quarto ao lado, de tanta coisa que era. Depois de um banho quente, a sobrecarga sensorial pesou novamente ( foi assim também na chegada em Belgrado) e juntou cansaço, medo, euforia, tudo… o sono só chegou com ela agarrada no meu colo.

Na manhã seguinte, fomos para o apartamento que alugamos e começamos a colocar a vida em ordem. O apartamento é bem antigo, mas semi funcional (só falta wifi) e numa região super central. No térreo do prédio tem uma cafeteria e ao lado uma pizzaria. Preciso mais?

Para quem não conhece o processo de cidadania, só digo uma coisa: burocracia! São diversas etapas, bem detalhadas, que mudam conforme o entendimento dos responsáveis. Mas basicamente: tiramos o codice fiscale (o CPF italiano), fizemos declaração de presença porque entramos no espaço Schengen por outro país, registramos o contrato de aluguel e estamos na etapa de esperar o vigile passar para confirmar a residência. Somente depois disso, que podemos dar entrada na documentação. A residência é levada muito à sério aqui. Várias políticas públicas são pautadas a partir dos dados demográficos de cada comune (cidade).

Passado o estresse da viagem, Lari está se ambientando muito bem na terra em que melhor se come no mundo. Para compensar, temos andado bastante, tanto pra dar conta das pendências como para passear e conhecer paisagens incríveis. Agora a expectativa dela é pela nova escola, mas como as férias de verão acabaram de começar, teremos que esperar até setembro.

De nossa parte, as expectativas são muitas: vacina para nós e para todes, próximas etapas do nosso projeto, que as boas notícias daqui sobre a pandemia possam se tornar realidade também no Brasil e, por último, mas sempre fundamental: #ForaGenocida.

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