Mudamos! Como foi a saga da viagem?

Se você me segue no Instagram @mundoim.perfeito, sabe que nos mudamos para a Europa na semana passada. Os motivos são inúmeros, passando pela busca por qualidade de vida, saúde, educação de qualidade, inclusão e a perspectiva de um futuro melhor para nós e principalmente para a Lari. Mas posso falar mais sobre isso em outro post. Hoje vou contar sobre a saga da viagem internacional com uma adolescente com deficiência intelectual e dificuldades motoras + cachorra + 7 malas + escala, em plena pandemia.

Então vamos começar pelo começo: não decidimos assim de última hora. Foi um projeto pensado e planejado por quase um ano, que passou pela minha demissão, pela venda de casa e de carro, pelo desapego de tudo que não cabia nas malas e pelo processo de despedida (à distância) de pessoas queridas.

Lari ficou sabendo 4 meses antes, quando não podíamos mais esconder esses movimentos. Se fosse possível, eu teria contado mais pra frente, por causa da ansiedade dela. Mas essa foi a primeira de algumas boas surpresas. Ela reagiu super bem e ficou empolgada com as novidades. Aos poucos foi caindo a ficha das perdas e lidamos com muita transparência, focando sempre no que ela iria ganhar com a mudança.

Como a Itália ainda está fechada para pessoas de fora da União Europeia, sabíamos que a quarentena em outro país seria necessária. Há mais de seis meses acompanho diariamente todas as notícias relacionadas à pandemia na Europa, além dos sites e decretos oficiais. Depois de muitas reflexões e antes que outras fronteiras sejam fechadas aos brasileiros, decidimos vir para a Sérvia, que exige apenas o exame de PCR negativo.

Quem assiste “This is us” vai pegar a referência: aquele momento em que você pensa e fala sobre tudo que pode dar errado. “Vamos ser deportados”, “A documentação da cachorra vai dar algum problema”, “vão dizer que a sacola de transporte é maior do que o permitido”. O bom de pensar em todas as desgraças é que geralmente elas não acontecem.

O primeiro desafio foi decidir como ir para o aeroporto. Um taxi nem pensar. Dois taxis teriam que ter porta-malas gigantes. Maridão lembrou do antigo tio da perua da Lari, que prontamente topou a empreitada. Chegamos no aeroporto com antecedência de 7h, para fazer o exame e evitar problemas de última hora. Dito e feito. O problema vem de onde a gente não imagina. O rapaz do check in não queria nos deixar embarcar por não termos a passagem de volta ao Brasil. Argumentei que devíamos ter a passagem de saída de Belgrado e tínhamos, não necessariamente o retorno para o Brasil. Após chamar um colega, pedir toda a documentação e nos segurar por minutos que pareceram séculos, acabou aceitando.

Com os resultados negativos em mãos, malas embarcadas e o coração na boca, fomos para a área de embarque e dali mesmo comprei as passagens de retorno ao Brasil, para evitar novas dores de cabeça. Paramos em um café e tiramos a Puppy da sacola para a última voltinha antes do vôo. Bichinha mega agitada, como a irmã, bebeu toda água do mundo e vomitou em seguida, de tanta ansiedade.

Embarcamos. Lari ansiosa pelo vôo, com medo de turbulências e animada para o jantar. Mediquei segundo orientação da psiquiatra e… nada! Rivotril parecia água. Depois da segunda dose, senti que regulou a intensidade e o volume do choro, mas foram 11h sem fechar os olhos. Chegamos em Zurich, para nossa escala e os oficiais suíços, extremamente educados e formais, apenas pediram nossos PCRs. Fomos ao banheiro, tirar a bichinha da sacola e para minha gratíssima surpresa, ela segurou o xixi o vôo todo. A fraldinha estava intacta. Seguindo uma brincadeira antiga nossa, educada na Suíça!

O vôo seguinte entre Zurich e Belgrado foi bem mais tranquilo, só de 1h45, já com dia claro e Lari quase se divertiu. Chegamos em Belgrado, a oficial da imigração pediu os PCRs e o motivo da viagem: turismo. Carimbo. That’s it! Foi tão rápido que fiquei desnorteada. A van que havíamos reservado já estava à nossa espera e o desespero por sair era tanto que esquecemos de trocar euros por dinares sérvios. O moço, gentil, fez a volta e pudemos fazer o câmbio. Ele ainda nos alertou que naquele dia era a Páscoa ortodoxa, principal feriado no país, e todo o comércio estava fechado. Prevendo a nossa ignorância sobre o feriado, os donos do Airbnb que alugamos foram incríveis e nos deixaram uma compra básica de frutas, bolachas e alguns mantimentos.

Assim que nos instalamos, maridão saiu, achou um mercadinho aberto e garantiu sandubas para o almoço e o jantar daquele dia. Chegamos aqui por volta das 15h, horário local, mas ainda eram 10h no Brasil. Lari não entende e não faria nenhuma questão de entender o fuso e pular alguma refeição, então achamos prudente fazer dois lanches leves e passar a régua no problema. Baixada a adrenalina, as quase 30 horas acordada + o cansaço da viagem + o rebote do remédio cobraram o preço e depois do almoço, ela começou a ter uma crise sensorial, o tal meltdown, com coceiras, medos, choro, tudo junto e misturado. Foi hora do banho quente e cama, abraçada comigo. Custou a dormir, mas foi acalmando.

Não vou negar, foi uma experiência intensa e desgastante para todos nós, como imaginávamos que seria. Mas no dia seguinte, tudo foi entrando nos eixos e o principal: cá estamos.

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