Verdades e Mitos sobre a Maternidade Atípica

A maioria das pessoas cria e reproduz uma série de mitos sobre a maternidade atípica. Hoje vou trazer alguns aqui e dizer por quê nem sempre são reais.

  1. TODA MÃE ATÍPICA É ABNEGADA. Ela renuncia à própria vida e aos seus desejos e sonhos para cuidar e se dedicar ao filho com deficiência. Essa é uma semi-verdade. É verdade que na grande maioria dos casos, a mãe atípica renuncia a (quase) tudo de sua vida de antes. O que está errado é o motivo que as pessoas imaginam. Não somos a Mulher-Maravilha. Não fazemos essa escolha por achar romântico nos colocar em último lugar da lista de prioridades. Acaba sendo na linha: é o que temos para hoje. Principalmente quando não há participação compartilhada do pai atípico (muitas vezes). Ou quando ela não pode contar com uma rede de apoio. Bora enquadrar esses pais para que cumpram com suas responsabilidades! Bora construir uma rede que possa acolher, dar suporte e não julgar essas mães!
  2. MÃE ATÍPICA É “ESCOLHIDA PARA UMA MISSÃO ESPECIAL”. Pardon my french, mas só posso dizer: Baboseira! Todas as mães aprendem, no amor ou na dor, a lidar com as adversidades da maternidade. Nós, mães atípicas, temos uma dose mais forte de dor. No começo pelos sonhos interrompidos (somos humanas, mas fica para o próximo mito) e pelos próprios preconceitos. Mas depois por sentir como o mundo pode ser injusto e desigual com nossos filhos. Se você, que não tem filho com deficiência, passasse a ter hoje, pode ter certeza que iria encontrar rapidinho a força que você diz que não teria pra lidar. É uma questão de sobrevivência.
  3. TODA MÃE ATÍPICA É INFELIZ. Aqui é bem mais complexo. Existe o luto pela perda do filho idealizado. Muitas mulheres passam a vida se imaginando mãe e fazendo planos para aquele serzinho que nem existe. Depois do choque, é natural a tristeza e a saudade daquilo que a mãe não vai viver. Mas isso passa. Pode demorar, mas passa. Enquanto não passar, gera infelicidade. Antes que me julguem, é importante deixar claro que essa mãe não deixa de amar o filho. Mas ela não encontra felicidade na realidade dela, pois não corresponde aos planos que construiu. Conselho: procure ajuda. Seja terapêutica, espiritual, grupos de ajuda, amigos ou familiares, o que você quiser e acreditar. Mas não se deixe levar pela falta de perspectiva. Passada essa fase, a mãe atípica pode estar infeliz pela falta de rede de apoio, pela falta de visibilidade, pela falta de empatia, pela falta de políticas públicas, pela falta de igualdade de oportunidades para seu filho. Aí a questão é arregaçar as mangas, ir à luta e fazer valer os direitos dos nossos filhos.
  4. TODA MÃE ATÍPICA ESTÁ SOBRECARREGADA E EXAUSTA. Essa eu não posso discordar. Em todos os grupos, encontros e eventos que participo, sempre se fala sobre a sobrecarga e exaustão da maternidade atípica. E os motivos ficam muito claros nos mitos descritos acima. Se você que me lê é mãe atípica, queria que tirasse UMA lição hoje deste texto: aprenda a pedir ajuda! É difícil (principalmente pra gente orgulhosa como eu 😬 ), eu sei. Temos a tendência de achar que somos insubstituível para nossos filhos, e somos mesmo. Como diz o ditado, mãe é só uma. Mas seu filho vai aprender a conviver com outras pessoas (e gostar). Melhor que isso aconteça de forma controlada e organizada por você do que por urgência, caso você caia doente pela exaustão. Se você não é mãe atípica, mas conhece e convive com uma, aprenda a oferecer ajuda.

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