Ei, você que acabou de receber o diagnóstico do seu filho(a)! É com você que eu quero falar hoje. Sabe aquele momento em que você olha para aquela bebê fofa e pensa em tudo que pode dar errado no futuro dela? Pensa no preconceito que ela vai sofrer e nas oportunidades que não virão. Aí você desaba e pensa, com revolta: “Por que com ela? Por que comigo?”
Algumas pessoas vão te dizer que Deus te escolheu, que é uma missão especial, que ela é um anjo em sua vida. Desculpe o mau jeito, não quero tirar a importância da sua fé, seja ela qual for. Mas quanto mais rápido você passar por esta fase, melhor. Sabe por que? Já vi muita mãe colocar “nas mãos de Deus” e deixar de fazer o que precisa para combater o preconceito e cobrar pelos direitos que o filho tem. Esse discurso faz muito mal para nós, mães atípicas, e nos coloca numa posição delicada, pois “se Deus me escolheu, eu não posso reclamar, me sentir exausta, nem pedir ajuda”.
Com o tempo você vai perceber que muita gente se afastou de você, por não saber lidar com a deficiência da sua filha. Não gasta muito tempo sofrendo por isso. Segue o baile. Os interesses, as rotinas, as preocupações são diferentes e só outras mães atípicas vão te entender neste começo. Aproveita a era digital e se conecta com elas. Pede ajuda, pede dicas. Vai tomar um café, quando der. Conversa com mães de crianças, jovens e adultos com outras atipicidades. Começa a seguir pessoas com deficiência. Escuta o que elas têm a dizer. Rompe os seus próprios preconceitos.
Aí usa sua rede pra furar a bolha e leva adiante tudo que gostaria que os outros soubessem sobre deficiência. Não tenha medo de se expor. Já ouvi de algumas pessoas “não quero que ele seja rotulado” Lamento dizer, mas vai ser. Mas que não seja por ignorância de quem rotula. Quanto mais você falar sobre o assunto, menos chance tem de ouvir bobagens. É um trabalho de formiguinha, mas dá resultados.
Aos poucos, você vai se dar conta que as suas dores não estão menores. Mas você está mais fortalecida pra lidar com elas. Que existem milhares de histórias cheias de tristezas e conquistas, mas também não é uma competição de sofrimento. Você vai entender que não adianta querer que apenas sua filha seja aceita. Você começa a lutar, junto com elas, para que todas as pessoas com deficiência possam ocupar os espaços que quiserem na sociedade. E que o mundo vai ser muito melhor quando todas as pessoas forem respeitadas. Aí sim a gente começa a falar de diversidade. Vem!
