Como você se sentiria se fosse xingado, humilhado ou segregado por ser quem você é?

(texto originalmente publicado no Facebook em setembro/2019)

Tempos atrás eu fiz um post sobre capacitismo, porque muita gente nunca ouviu falar. Vale lembrar: Capacitismo é a discriminação e o preconceito contra a pessoa com deficiência, percebida como inferior em relação a quem é “normal” (muitas aspas aqui!)

A deficiência é vista como algo que deve ser consertado ou corrigido, se possível por intervenção médica. Existem sim tratamentos que são super importantes para a saúde e o bem-estar das pessoas com deficiência. Mas a vida delas não se resume à saúde.

Uma pessoa com deficiência pode e deve estudar, passear, sair, namorar, trabalhar, ter filhos, ter consciência ambiental e social. Pode tudo isso e o que mais ela quiser.
E se você, que não possui deficiência, não está acostumado a ver pessoas com deficiência ocupando espaços, ACOSTUME-SE.

Para quem não sabe, a Lei Brasileira da Inclusão é muito clara:
“Art. 4o Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.
§ 1o Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa de adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas.”

E tem um trecho ainda mais claro:
“Art. 7o É dever de todos comunicar à autoridade competente qualquer forma de ameaça ou de violação aos direitos da pessoa com deficiência.
Parágrafo único. Se, no exercício de suas funções, os juízes e os tribunais tiverem conhecimento de fatos que caracterizem as violações previstas nesta Lei, devem remeter peças ao Ministério Público para as providências cabíveis.”

Ou seja, você pode até não concordar com as propostas ambientais da Greta Thunberg, mas chamá-la de “retardada” é capacitismo, porque está desacreditando a capacidade dela por sua condição como autista. E mais do que isso: é CRIME. Ela é jovem, nascida em um país desenvolvido que estimula a educação e a consciência ambiental e está fazendo pela causa muito mais do que milhões de pessoas adultas que deveriam estar mobilizados.

Passei os últimos dias denunciando todos os posts preconceituosos nas redes sociais e também às autoridades competentes. E vou continuar, até que todos os criminosos sejam devidamente responsabilizados. Mas acho que muita gente, a maioria, precisa de esclarecimentos e conscientização. Então vamos lá:

1) NUNCA, nunquinha, jamais chame alguém de retardado(a), seja uma pessoa com deficiência intelectual ou não.
É ofensivo e pejorativo e diz mais sobre sua falta de educação do que sobre a pessoa. O amigo imaturo, inconsequente, irresponsável, que faz bobagens, é apenas isso. Não é sinônimo de deficiência intelectual.
O mesmo vale para autista. Não use um diagnóstico para falar sobre seu amigo caladão ou sobre o carluxo.

2) Não adianta achar lindo um discurso em libras ou a favor das PCD e não querer uma criança com deficiência na sala de aula ou na festa de seu/sua filho(a). O mundo inteiro já provou que o melhor modelo de inclusão escolar é a inclusão. Crianças com deficiência e crianças SEM deficiência ganham quando convivem. Seu filho não vai aprender menos por estudar com crianças com Down ou autismo. Ele aprenderá a ser mais tolerante, mais aberto e um ser humano melhor.

3) Se você presenciar alguém agindo de forma negativa com uma pessoa com deficiência, seja com pena, comentários maldosos, “brincadeiras” ou ofensas, DENUNCIE!
A mudança depende de cada um de nós, que deixa de fazer algo e começa a se incomodar e cobrar atitude de quem está em volta.

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