Tudo passa

Se tem uma coisa que aprendi na vida, desde que Larissa nasceu, é que tudo passa.
O medo. As incertezas. Os dias nublados. Os apitos dos equipamentos da UTI neonatal. A ansiedade pelo peso que não foi alcançado ou pela saturação baixa. A ansiedade pelo peso que aumentou demais. O pescocinho que não firma. O engatinhar que demora. Os passos que não são dados. Os desenhos rabiscados. O cartão de Dia das Mães com a letra da professora. As brincadeiras não entendidas. O convite para a festa do pijama que nunca chega. O livro que não consegue ser lido. As crises que aparecem do nada para colocar pra fora aquilo que ela não consegue elaborar. Os planos de futuro que não são feitos.

Quase tudo chega, mas em outro ritmo, de outras maneiras. E o que não chega, deixa de se fazer necessário. Os ganhos são outros, muito mais verdadeiros e necessários. Sabe aquela frase “só quero que venha com saúde”? Se vier sem saúde ou sem a tal perfeição, você faz o que? Devolve como fez a blogueira? Esquece essa frase. A gente só quer que os filhos sejam felizes. E podem ser. Muito felizes.

O problema mesmo, aquilo que não passa é a falta de políticas de saúde, de educação, de apoio às mães em sua gigantesca maioria sozinhas, de trabalho, de acesso. E é aí que deve morar a pressa, a cobrança e o ativismo de cada mãe atípica.

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