Escrevi parte deste texto no final de 2019, no Facebook, e de lá pra cá, muita água correu embaixo desta ponte. Então achei por bem atualizar.
Conforme o tempo passa, a mãe atípica costuma esquecer das fases em que a cria teve mais problemas de saúde. Acho que é um mecanismo de auto-defesa do nosso cérebro pra continuar em frente, sem dramas.
Quem nos conhece há pouco tempo talvez não saiba que Lari começou a andar somente aos 4 anos, fazendo fisio de 4 a 5 vezes na semana. Ela tinha hipotonia severa, ou seja, seu tônus muscular era super fraco. Parecia uma bonequinha de pano quando era bebê, característica bem comum da síndrome.
Atualmente ela anda bem, mas não é chegada em corrida ou qualquer atividade que exija muito esforço. Além disso, tem predisposição maior para lesões.
Em outubro/2019, o que seria um tranquilo almoço de domingo depois da votação para Conselho Tutelar virou um caos: Lari escorregou no restaurante, torceu o pé, comeu chorando (até porque não deixaria de almoçar nem por decreto), fomos ao PS pra confirmar a lesão e bingo: ligamento do tornozelo esquerdo rompido. Foram algumas semanas de molho, com doses maciças de paciência.
No final do ano, ela passou o Natal conosco e o Ano Novo com o pai. Na véspera do Reveillon, escorregou no chão molhado da cozinha (aqueles pingos pós lavagem de louça. Temos que ficar atentos aos mínimos detalhes) e teve uma lesão no ligamento do joelho direito. Mais algumas semanas de repouso, recuperação e medo de se machucar novamente.
Fizemos a ressonância (na verdade duas, do joelho direito e do tornozelo esquerdo) e a recomendação médica foi fisioterapia, seguida por reforço muscular. Mas ironia do destino… depois de poucos dias, em março deste ano, ela caiu de novo, desta vez brincando na escola, e teve uma lesão no ligamento do joelho esquerdo, lembrando que o direito ainda estava em recuperação.
Foram dois meses de tratamento, gelo, repouso até ela conseguir descer uma escada novamente. Dor e medo de se machucar de novo faziam com que ela descesse apenas sentada nos degraus. Foram muitas tentativas, conversas, brincadeiras, promessas e lágrimas de frustração. Estávamos todos exaustos.
Mas, como tudo em nossa história desde que ela nasceu, tudo ao seu tempo. Temos que oferecer todo suporte para que ela ultrapasse as barreiras e se desenvolva, mas não podemos acelerar ou eliminar etapas. Qual é o limite entre querer que ela ganhe novas habilidades/fique bem e forçar padrões que não cabem nela?
