Já parou para pensar que muita gente que não nasceu com deficiência – você inclusive – pode adquiri-la ao longo da vida, principalmente na velhice?
Talvez você não saiba que mais da metade (67,7%) da população acima de 65 anos tem alguma deficiência, enquanto a média geral é de 24% na população brasileira. Ou seja, dois em cada três brasileiros(as) idosos(as) têm deficiência. Esse aumento surge, claro, pelo fenômeno do envelhecimento, com a perda gradual da visão, da audição e da capacidade motora ou cognitiva das pessoas. E é bom lembrar que os avanços da medicina e da ciência elevam cada vez mais a expectativa de vida da população. Imagina como será daqui a 20 ou 30 anos?
Quem tem mãe ou pai idoso sabe bem do que estou falando. Como é difícil para eles a geração de renda, o convívio social, o uso de transporte público, o acesso a qualquer local pouco preparado para receber gente que anda com andador ou não anda. Isso sem contar nas barreiras atitudinais de profissionais de serviços públicos e privados em geral, com má vontade de interagir ou atender pessoas que andam devagar, escutam e enxergam com dificuldades ou possuem dificuldades de raciocínio ou de fala, tornando o atendimento mais lento.
No outro extremo do descaso ou negligência, tem a superproteção e infantilização dos idosos, principalmente os que têm deficiências. Lembre-se: idosos não são crianças e não devem ser tratados como tal, assim como adolescentes e adultos com deficiência. Também não são dignos de pena, apesar da sociedade exaltar tanto a juventude. É sempre bom lembrar que a alternativa à velhice é morrer cedo e eu tenho certeza que, se tiver que escolher, a grande maioria vai preferir envelhecer.
São pessoas que foram perdendo funções motoras ou cognitivas e merecem continuar a viver com dignidade. Como fazer isso?
Vamos nos mover para que as instituições públicas e privadas eliminem as barreiras físicas, comunicacionais e atitudinais que atrapalham a vida e o bem-estar dos idosos. Que as empresas revejam suas políticas segregadoras de contratação, que priorizam gente cada vez mais jovem e dispensam pessoas acima dos 40, consideradas caras e defasadas. Que as pessoas em geral percebam e eliminem suas atitudes preconceituosas e desrespeitosas, seja pelo excesso ou falta de preocupação. Que a gente fale mais sobre o assunto, para que as pessoas não se sintam isoladas, excluídas, inúteis para uma sociedade que parece não ter sido criada para elas.
Com isso, a gente começa se colocar no lugar do outro e fica mais fácil para quem não tem deficiência entender o que é viver de um jeito diferente. Fica mais fácil respeitar e aceitar quem não é igual a você.
Este é o princípio da diversidade. E ainda que eu tenha sérias restrições ao modelo corporativo vigente que busca ganhos financeiros acima de tudo, já está mais do que provado que a diversidade só traz benefícios à sociedade, já que o pensar e agir diferente ampliam as possibilidades de sucesso e de desenvolvimento. Vamos?
