Tenho pensado muito sobre o que está acontecendo no mundo e principalmente no Brasil. As desigualdades gritam e às vezes é mais cômodo ignorar e seguir o baile. Mas se alguém fizer a pergunta acima, a tendência é negar: “Imagina! Até tenho amigos/as (COLOQUE AQUI SUA MINORIA PREDILETA)”
Quando me tornei mãe atípica, a primeira pergunta (capacitista) foi: por que comigo? Na verdade, por que não comigo, já que existe uma pessoa com deficiência para cada quatro brasileiros? Me percebi minoria e quanto a sociedade segrega a partir de marcadores sociais. Se você se encaixa em mais caixinhas, sua desvantagem aumenta. Minha filha, branca, classe média, com mãe doutoranda, é menos discriminada do que uma criança com deficiência negra, de região periférica, cuja mãe não teve acesso à educação formal. Essa noção dos meus privilégios me dá ferramentas pra pensar fora do meu quadrado. Por exemplo quando escrevo este texto que vai chegar em pessoas que nunca tiveram contato com essa criança ou com essa mãe.
É fácil julgar o outro com base na sua própria vida. Tenho um certo ranço da palavra empatia, esvaziada em discursos de autoajuda, mas coloque-se no lugar do outro. Antes de sair repetindo o que ouviu na infância, pare e pense: isso faz sentido? Passei a infância ouvindo chamarem outros por retardado. Até que um dia me magoou profundamente, pq a deficiência intelectual da Lari era sinônimo de ofensa ou brincadeira pejorativa para muita gente.
Dias atrás comentei em um post de uma pessoa querida que associava surdez à falta de vontade de entender uma situação. Imediatamente ela se desculpou, deletou e fez outro sobre capacitismo. É disso que estou falando! A gente não percebe nossos preconceitos, até que alguém nos alerte. Temos que sair da nossa bolha. Temos que ler, seguir, consumir conteúdo, conviver com pessoas diversas.
Quantas pessoas diferentes de você fazem parte do seu círculo de convivência? Quantos ativistas PCD você segue? Quantos negros e negras? Quantos LGBT? Quantas mulheres feministas você, homem, segue? Quantas pessoas acima de 50 anos, você, jovem, segue (e vice-versa)?
