Por que é tão difícil lidar com a compulsão?
Uma das características mais sérias da síndrome é a hiperfagia. Em outras palavras, a fome constante, a vontade de comer o tempo todo. O impacto na saúde é claro: obesidade, diabetes, problemas cardíacos e respiratórios, etc.
Mas existe um impacto emocional que pesa tanto quanto o físico. A comida tem uma função social, de demonstração de afeto. Famílias e amigos se reunem em volta da mesa para conviver, conversar e comer. Quantas refeições de mãe ou avó te trazem lembranças afetivas?
E isso é tirado da pessoa com hiperfagia. Imagina levar uma criança em uma loja de brinquedos e proibir que ela brinque? A pessoa com SPW, em um lugar com oferta grande de comidas, pode até se controlar por algum tempo, mas vai se desestabilizar. Isso é fato.
Mas qual a solução? Deixar de participar de eventos familiares ou sociais? Não sou radical assim, mas temos que buscar o melhor para nossos filhos. O que significa ter que fazer escolhas. Desde que Larissa era pequena, e agora adolescente, eu escolho com muito cuidado cada situação que vou expor para ela. Cada passeio, cada festa, cada convite para almoçar ou jantar. Levo em conta diversos fatores: como ela está emocionalmente, se terei algum controle da situação, quais as ofertas de comida, como ela vai ser tratada, se as pessoas presentes serão compreensivas.
Além disso, converso sempre com ela sobre a importância da alimentação saudável e controlada. Hoje ela entende que precisa controlar qualidade e quantidade, mas a comida ronda a cabeça dela o tempo todo. Acorda e vai dormir pensando no café da manhã, almoço e jantar.
A ansiedade é enorme e permanente e se reflete em todos os aspectos da vida dela. A solução é distrai-la e fazer com que ela viva o momento presente. Tentar, na medida do possível, tirar o foco da comida. E no dia-a-dia buscamos sempre opções saudáveis.
Gostou? Encaminha para amigos e familiares.
