Toda existência é política

(Texto originalmente publicado no Facebook em fevereiro/2020)

“Há uma responsabilidade ética, social, de todos nós, no sentido de tornar a nossa sociedade menos má. Tornar o mundo menos feio é um dever de cada um de nós. Nem sempre esse dever é percebido, e sobretudo assumido. Se você me perguntar se essa é uma questão pedagógica ou política, eu diria que é política.”  Paulo Freire, em Pedagogia da Tolerância

Todo convívio em sociedade é político. Ao assumir um lado ou ao escolher não se envolver em questões sociais, você está assumindo uma postura política. 

Quando escolhi defender a Lari das desigualdades e injustiças há 15 anos, comecei a reparar em todas as pessoas invisibilizadas. Foi natural perceber diversos grupos oprimidos que não faziam parte do meu radar, como negros, LGBTs, idosos, pessoas em situação de miséria, entre outros. 

Até mesmo a discriminação contra mulheres, “minoria” escandalosamente discriminada da qual faço parte, se tornou mais gritante aos meus olhos.

Tenho a dizer que é um caminho sem volta. Quando a gente se dá conta do nome, sobrenome e razões daquele incômodo, a gente não aceita mais “brincadeiras” ou “opiniões” preconceituosas. É isso que muitos ainda chamam de mimimi. 

Se sua opinião ofende ou discrimina, fecha a boca e repensa. O erro está em você. E tudo bem se dar conta disso, desde que seja para evoluir. Afinal, é pra isso que vivemos. 

Repense seus privilégios. Quanta coisa você conseguiu simplesmente por ter nascido onde nasceu? Isso não te faz melhor que ninguém. Apenas te colocou no alto da fila. E se você estivesse no final? 

O conceito de meritocracia é uma das maiores crueldades do mundo. Uma ou outra exceção que saiu fora da regra não valida a regra. Não basta “se esforçar”. Pra cada um que se esforça e chega lá, milhares morrem. MORREM de verdade. Enquanto a exceção é super valorizada. Pense!

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