E a cidadania para as pessoas com deficiência?

Você, que não tem filhos com deficiência, sabia que pessoas com deficiência historicamente foram mortas pelas próprias famílias ou pelos governantes, por serem consideradas castigo divino ou enfeitiçadas? Com o tempo, passaram a ser isoladas em abrigos ou hospitais, já que não eram consideradas força de trabalho produtiva para a sociedade.

Foi somente no século 20 que as pessoas com deficiência começaram a ser respeitadas como seres humanos e que surgiu o modelo social, que estabelece que as barreiras estão no ambiente, que não está preparado para a pessoa, e não na pessoa com deficiência em si. Ou seja, a sociedade precisa buscar soluções coletivas para as barreiras (urbanísticas, arquitetônicas, nos transportes, nas comunicações e na informação, atitudinais e tecnológicas) que limitam a participação social da pessoa e o exercício de seus direitos.

E o que isso tem a ver com Cidadania? Tudo. Você, eu, todos nós exercemos cidadania, ao conhecer e fazer valer nossos direitos e deveres. O ponto principal é que TODOS NÓS somos cidadãos. 

Mas, com esse histórico que falei acima, muita gente ainda acha que a pessoa com deficiência é indefesa, coitadinha, sem voz, incapaz. Se você faz isso, mesmo sem perceber, pare e pense: você já subestimou ou diferenciou alguém por ter deficiência? Isso é capacitismo, preconceito contra pessoas com deficiência. 

Parar de ser capacitista é o começo, mas não é suficiente. Sua voz é mais ouvida do que a dela. Aproveite este lugar privilegiado (isso sim é privilégio: você ganhou este lugar simplesmente por ser quem você é e ter nascido como nasceu) e abra espaço, contribua para que as pessoas com deficiência possam exercer sua cidadania plenamente. 

Fale sobre este assunto e questione outras pessoas que não possuem filhos com deficiência. Fale na escola dos seus filhos. Nos locais de lazer de sua família. No seu ambiente de trabalho. Com sua família e seus amigos.

Se você acredita que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos” faça algo de verdade para que isso se torne real.

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